Resultados e Desafios da Avaliação do GAFI no Brasil
No recente evento promovido pelo ACAMS Brasil chapter, especialistas em prevenção de crimes financeiros abordaram os resultados e desafios da avaliação do GAFI no Brasil. Destacaram-se dois focos principais: cumprimento técnico e efetividade das medidas de prevenção à lavagem de dinheiro (LD), financiamento ao terrorismo (FT) e corrupção.
Os palestrantes ressaltaram que, embora o Brasil demonstre um profundo entendimento dos riscos de PLD, há espaço para melhorias, especialmente em relação aos riscos de FT e crimes ambientais. Recomendaram um maior envolvimento do setor privado na conscientização sobre exposições específicas de risco e uma melhor compreensão das autoridades quanto aos riscos internos de FT.
Além disso, enfatizaram a importância da cooperação internacional, destacando os esforços do Brasil em atender demandas estrangeiras e solicitar informações ao exterior. No entanto, salientaram a necessidade de maior agilidade no processo de efetivação de acordos de extradição e maior envolvimento das autoridades alfandegárias, especialmente em áreas de fronteira expostas a crimes ambientais.
Como claramente demonstrado pelo conteúdo apresentado na sessão:
A avaliação do GAFI destacou diversas áreas de melhoria no Brasil, incluindo a necessidade de aumentar os esforços de conscientização e supervisão nos setores obrigados, especialmente nas atividades de pedras e metais preciosos. Também foi identificada uma disparidade na implementação de medidas preventivas, com as instituições financeiras mais maduras em comparação com as atividades não financeiras designadas (APNFDs), como contabilidade e imobiliário.
Além disso, foram recomendadas ações prioritárias, como a melhoria da transparência das pessoas jurídicas, cooperação entre autoridades de investigação, ampliação do acesso a informações para fins de inteligência e inclusão de advogados e profissionais do direito na estrutura de prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo.
Esses resultados e desafios destacam a importância contínua da colaboração entre setor público e privado na implementação eficaz das medidas de prevenção, reforçando o compromisso do Brasil em combater crimes financeiros e proteger o sistema financeiro nacional e internacional.
Ana Paula Tome
Diretora de Comunicação Institucional
Mais de 25 anos de atuação em instituições financeiras globais nas regiões LATAM, NAM, Europeia e Asiática. Executiva de Compliance e crimes financeiros, gerenciando controles de sanções internacionais com foco global em uma das maiores instituições financeiras americana. Ao longo de sua carreira, implantou com sucesso programas de compliance e prevenção de crimes financeiros, acumulando mais de 25 anos de experiência em desenvolvimento, implantação e gestão de programas de governança corporativa, gerenciamento de riscos, compliance regulatório, financial crime incluindo sanções, surveillance, AMLCFT, ética e compliance. Mestre em ESG pela Upsam na Espanha, MBA em Controles Internos e Compliance pela Fipecafi no Brasil, e Pós-Graduada em Direito Empresarial pela UC em Portugal. Advogada habilitada no Brasil, é membro da Comissão de Compliance do IASP, certificada como Especialista de PLD (CAMS), Especialista de PLD para Fintech CAFCA (CAMS), Responsável por Compliance PQO (B3) e Certificada para Ombudsman (Ancord).
Natalia Grigolin
Diretora de Conteúdo Editorial
Mais de 20 anos de experiência profissional em empresas de Consultoria e Auditoria (Big4), Sócia da EY na área de Prevenção a crimes financeiros. Graduada em Ciências Contábeis pela PUC-MG, coordena diversos projetos de Prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo. Membro da comissão de Compliance/CFT na ABBI e apoia iniciativas de PLD/CFT na ABBC e ABRACAM, também coordenou a pesquisa publicada pela EY sobre a maturidade dos programas PLD/CFT das instituições reguladas, após dois anos do início da entrada em vigor das novas regulamentações.